
Se há coisa para a qual não tenho a mínima pachorra, é para gente idiota. É sobranceria minha, poderão dizer. Num primeiro relance até condescendo, mas aprofundemos a idiotia a que me refiro e depois se verá.
Os mais atentos a estas coisas já terão percebido que o dislate eleitoralista logrou alcançar o estatuto de tradição. De facto, não há campanha eleitoral que não atraia os especialistas em disparates e, convenientemente, os chamados idiotas úteis. Se aos primeiros poder-se-á imputar interesse em causa própria, caso de alguns candidatos e/ou mandatários, cabendo aos eleitores a inteligência de os mandar pastar, já aos segundos não há desculpa que os valha, a eles ou a nós. Mas quem são estes idiotas úteis e o que é que os move?
Seguindo o trilho dos blogues da margem sul – a eleição que realmente me interessa porque é aqui que vivo e é aqui que tenho de lidar com a incompetência, arrogância e prepotência dum executivo camarário da CDU – é vê-los, aos idiotas úteis, proliferar como cogumelos nas caixas de comentários (acrescento porque parece que algumas pessoas não perceberam assim). Em mero aparte, a impressão que me fica quando os leio, é o de um campeonato da idiotia; eles distorcem o que lêem, manipulam toscamente a informação, desdizem-se, atropelam-se, e tudo para quê? Para propalarem o que o partido lhes soprou ao ouvido, mais prosaicamente, pespegam a célebre cassete dos ideais de Abril e outras patacoadas igualmente anedóticas quando articuladas com a realidade.
Se alguém os confronta com a mais simples prova da sua (deles) menisquese cerebral – uma forma de dizer que a sua capacidade cognitiva entrou na menopausa – ou desaparecem por uns tempos, ou enrolam-se confrangedoramente num papagueio de contradições, insultos e insinuações. Alguns, os mais magníficos exemplares de idiota útil, na ânsia de brilharem mais e, quiçá, impressionarem os acólitos, fazem um esforço sobre-humano para patentearem uma cultura que não têm, facilmente decifrável pelo uso de termos pomposos que se não coadunam com a frase na qual são empregues. Explicado à laia do Zé-povinho, usam palavras de 20 mil euros que não querem dizer o que pretendem. É ridículo, mas não deixa de ser divertido.
Assim, sem que ganhem o que quer que seja com isso, os idiotas úteis vão entalhando o caminho aos mais incautos, os que por ignorância caem nas esparrelas apresentadas, enquanto deixam os seus coprólitos espalhados pela blogosfera. Mas a democracia é isto e não há forma de os evitar. Como comecei, não tenho a mínima paciência para este tipo de aves de arribação, mas começo a fazer um esforço por me divertir com a estultícia desta espécie em franca expansão.