Domingo, 4 de Setembro de 2011

Coisas da turba



Há, nos tempos que ora correm,
anseios vários de um mesmo prumo:
ser reconhecido,
ser ouvido,
ou mesmo visto,
entre pares de um mesmo rumo.

Ânsia legítima! - dirão os doutos
especialistas na psique da turba,
sem que vingue,
ou melindre,
sequer se lembre,
o que àquela sempre perturba.

E o que a perturba é tão-somente
a subversão do pretendido,
e não fora o azar da questão
- porque de azar se queixa a dita -
a mortalidade seria banida,
a vulgaridade varrida,
e em letras de puro ouro,
gravado a ferro e fogo,
veriam
seu nome e obra inscrita.

Mas na verdade, há que o dizer,
é vã a obra e o nome é escuso,
e como não há o que perder,
pela glória não resta quinhão,
da fama sobra a ilusão,
e porque do sonho se é expulso,
o fogo das ventas é rendido,
o alor do braço é perdido,
o falso porte fica perneta,
e, oh amarga degustação,
dá-lhes, por fim, a pespineta
ao invés da sublimação.

E em meio ao sentimento
de profunda e vil injustiça,
esperneiam, gesticulam,
gritam:
- Por aí, não!
E de novo entram em devaneio,
desvelo e pavoneio…
ridicularias de ocasião.
Não sei se por falha memória,
se por falta de formação,
esquecem ter gritado,
- Por aí,não!
E não é que vão?



(reposição)

1 comments:

cafc disse...

Cara amiga Graça
Que poderei acrescentar a este teu grito que, sendo de “ontem” é o mesmo de “hoje” e a continuar o “coma induzido”, será o de “amanhã”? Quantas obras (discos, por exemplo), já com décadas de existência, são, terrivelmente, actuais?
Se outros calam, gritemos nós (todas e todos que resistem ao “invasor”)!
Beijocas das pirralhas.
Aquele grande abraço.
Carlos