Ah, se vós soubésseis,
Se tão-somente adivinhásseis
O quanto pode a paixão,
Esse tormento do corpo.
Que quando o sangue efervesce
Em palpitante torrente
É lava, é magma, é alor,
Que sem razão aparente
Cresce, sufoca, tritura
Esmaga, mói, enturvesce
E o simples mortal deixa absorto
Enquanto o corpo murmura
E o desejo é ainda mais
E se perde e entorpece
Em quimeras de feitos excelsos
Na continuidade já sem nexo
Esquecendo-se que são mortais
E é tão magnífico o estertor
Que nem o óraculo de Delfos
Ou Olímpia haviam de prever.
E na vertigem do amplexo
Esse mortal quase jura
Que está pronto a morrer.
Mas isto não é paixão
Tampouco se chama amor
Está bem mais perto da loucura
Do que outra coisa qualquer.
Ah, se apenas soubésseis,
Se tão-somente adivinhásseis!
(reposição)

6 comments:
Cara amiga Graça
Se isto fosse a “batalha naval”, anunciava-te que, na generalidade, tinhas mandado com um “barco de quatro canos ao fundo”. Na parte que me toca, “tocaram-me”, muito especialmente na “alma”, o teu poema (belíssimo, como já nos habituaste) e a frase de Gandhi (“barco de dois canos ao fundo”).
Muito obrigado, cara amiga e aquele abraço universal.
Carlos
Brilhante!!
(como sempre)
:)
Bjs
Meu caro amigo Cafc,
Muito obrigada pela excelente opinião, fiquei quase - eu disse quase - sem palavras. :))
Este é velhinho, mas o segundo do qual falas é novíssimo. Aliás, esse e todos os outros que se lhe seguem. "Roubo-os" a todos no Facebook.
Esta coisa do blogger anda a trocar-me as voltas ao texto: ou não me deixa postar, ou metade do texto não aparece. Tentei colar este e resultou, a ver vamos se não volta a fintar-me.
:))
Aquele abraço grato e beijocas ao bando das gaulesas.
Querido Bern, uma vez mais és exagerado. :)))
Obrigada amigo do peito.
jocas grandes
Maninha
O cota é que ficou quase sem teclado, quando foi ao Inflorescências.
Reparaste que ele não fez o testamento do costume?
Deixa-o recuperar da alma e logo vês.
E eu que posso acrescentar mais ao que ele e o Bernardo Moura te disseram?
Se o blogger continuar a fintar-te, passa-lhe uma rasteira das grandes.
E mais vale uma reposição tua do que as inovações que vou lendo por certos sítios, pois é mais actual do que as que vou ler amanhã e depois e depois.
Vivam também os roubos no Facebook.
Beijocas universalmente gratas do bando das gaulesas
Cristina
Maninha,
Não me digas que o cota ficou "despalavrado"??? :)))
Olha, hoje gostei do post do Sérgio Lavos sobre o Steve Jobs, deixei um comentário porque não resisti. Pelo menos esse sai da linha e assume-o, o resto é como dizes, mais do mesmo, requentado mas embrulhado em celofane para parecer novo e bonito.
Pelo caminho que as coisas levam, nem Morramarta se safará. Enquanto fizermos duma manifestação uma festa, com "bailarico" e tudo, não seremos levados a sério.
Aliás, já nem a China leva a Europa e o Euro a sério, já nos rezou a missa de sétimo dia com encomendação da alma e tudo. Entretanto, o pessoal anda a brincar no FB com citações bonitas e vídeos explicativos que, aparentemente, não percebem pois a seguir apoiam o contrário do que postam.
Estou farta, maninha, farta de gente imbecil que se acha muito especial e inteligente. O Arrastão é bem exemplo disso.
E quem se esticou, agora, fui eu. Caroço, quando me dá para isto saiam da frente.
Beijocas da reserva especial para a tribo toda.
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