Lagoa da Sete Cidades - São Miguel - Açores
Porque correm os dias sem que os some à vida?
De pés de lava e alma de mar eu sou! Igual ao espelho que me responde, igual ao azul que me pinta no rendilhado da hortense. E teço a espuma que me sorve o sonho alado do açor.
Porque correm os dias sem que os some à vida?
Pela janela da minha esperança vejo-me na esguia árvore que cresce teimosa e acintosa… O seu verde esgota-me nos ramos que me entrelaçam, na copa que me encobre.
Porque correm os dias sem que os some à vida?
O voo matizado daquele pardal prende-me… e viola o meu castanho olhar. Sou canário encerrado na gaiola dos fios dourados do sol, e entrego-me às horas que me alumiam em prateados rasgos de poesia.
Mas porque correm os dias sem que os some à vida?
Porque de além-mar me fiz e sou. Porque de crateras me visto e alago em azuis e verdes, sou crepúsculo violáceo, porque sou raiz e seiva. Porque não somo o que não conto.
Que corram os dias sem que os some à vida, porque Sou! |
6 comments:
Um belo poema!
Beijocas
Maninha
Um,dois,três,expariência...
Que é como quem diz, vamos lá ver se assim funciona.
Beijocas atrapalhadas como o caroço
Cristina
Cara amiga Graça
… Porque És e continuarás a Ser um SER muito grande!!!
Aquele grande abraço, enquanto não me “cortam as asas”.
Carlos
Maninha
Resultou!
Na sequência do cota, só te digo que não conseguirão partir os bicos aos rouxinóis.
Beijocas rebicadas
Cristina
Cara amiga Graça
Mudam-se os tempos e as vontades parecem recuar.Um Povo com as "asas" presas por quem as devia soltar (Greve Geral bem educadinha, pois claro!). Até à próxima "grande forma de luta", portem-se bem, escrevam ao Pai Natal e "coisa e tal". Pois, se vos "partirem o bico", cá estamos para tentar preservar a noite...
http://www.youtube.com/watch?v=buZMu3iWuUY
Só que não será a dos rouxinóis mas, a dos vampiros.
Raios os partam!
Aquele grande abraço, revoltado, passado e tudo.
Carlos
lindo como todos os poemas que escreves, Graça :)
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