Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

Açorianidade

Lagoa da Sete Cidades - São Miguel - Açores


Porque correm os dias sem que os some à vida?

De pés de lava e alma de mar
eu sou!
Igual ao espelho que me responde,
igual ao azul que me pinta
no rendilhado da hortense.
E teço a espuma que me sorve
o sonho alado do açor.

Porque correm os dias sem que os some à vida?

Pela janela da minha esperança
vejo-me
na esguia árvore que cresce
teimosa e acintosa…
O seu verde esgota-me
nos ramos que me entrelaçam,
na copa que me encobre.

Porque correm os dias sem que os some à vida?

O voo matizado daquele pardal
prende-me…
e viola o meu castanho olhar.
Sou canário encerrado na gaiola
dos fios dourados do sol,
e entrego-me às horas que me alumiam
em prateados rasgos de poesia.

Mas porque correm os dias sem que os some à vida?

Porque de além-mar me fiz
e sou.
Porque de crateras me visto
e alago em azuis e verdes,
 sou crepúsculo violáceo,
porque sou raiz e seiva.
Porque não somo o que não conto.

Que corram os dias sem que os some à vida,
porque Sou!

(reposição)

6 comments:

lino disse...

Um belo poema!
Beijocas

"Pirralha...eu?" disse...

Maninha
Um,dois,três,expariência...
Que é como quem diz, vamos lá ver se assim funciona.
Beijocas atrapalhadas como o caroço
Cristina

cafc disse...

Cara amiga Graça
… Porque És e continuarás a Ser um SER muito grande!!!
Aquele grande abraço, enquanto não me “cortam as asas”.
Carlos

"Pirralha...eu?" disse...

Maninha
Resultou!
Na sequência do cota, só te digo que não conseguirão partir os bicos aos rouxinóis.
Beijocas rebicadas
Cristina

cafc disse...

Cara amiga Graça
Mudam-se os tempos e as vontades parecem recuar.Um Povo com as "asas" presas por quem as devia soltar (Greve Geral bem educadinha, pois claro!). Até à próxima "grande forma de luta", portem-se bem, escrevam ao Pai Natal e "coisa e tal". Pois, se vos "partirem o bico", cá estamos para tentar preservar a noite...
http://www.youtube.com/watch?v=buZMu3iWuUY
Só que não será a dos rouxinóis mas, a dos vampiros.
Raios os partam!
Aquele grande abraço, revoltado, passado e tudo.
Carlos

marrana alentejana disse...

lindo como todos os poemas que escreves, Graça :)